Há mais de duas décadas, a Cooperativa Aliança transforma materiais recicláveis em trabalho, renda e oportunidades, construindo uma história marcada pelo cooperativismo, pela inclusão social e pelo compromisso com o meio ambiente em Campinas.
A história da Cooperativa de Trabalho, Coleta e Manuseio de Material Reciclável – Aliança começou em Campinas, em 1999, a partir de uma necessidade bastante concreta: a busca por uma oportunidade de trabalho.
A iniciativa surgiu na região do Cambuí, a partir da procura de emprego de um morador junto à Paróquia Nossa Senhora das Dores. O que começou como uma ideia simples rapidamente ganhou força e mobilizou diferentes setores da comunidade. Igreja, voluntários, organizações não governamentais, empresas e hospitais se uniram para tornar possível uma alternativa de geração de trabalho e renda baseada na coleta e na recuperação de materiais recicláveis.
O crescimento foi rápido. Em pouco tempo, foi necessário alugar um barracão para que as atividades de separação, triagem e recuperação dos materiais pudessem ser realizadas de forma organizada.
Uma cooperativa que cresceu junto com Campinas
Em 2011, a Aliança já contava com 30 cooperados e havia ampliado sua atuação para todo o município de Campinas. Três anos depois, em 2014, a cooperativa deu mais um passo importante: mudou-se para um terreno cedido pela Prefeitura de Campinas, no Jardim Mirassol, onde consolidou sua estrutura de trabalho.
A trajetória da Aliança também acompanhou uma transformação mais ampla na forma de enxergar os resíduos. Aquilo que durante muito tempo foi tratado simplesmente como lixo passou a ser reconhecido como material com valor econômico, ambiental e social.
Na prática, cada etapa do trabalho — da coleta à separação, da prensagem à comercialização — representa uma oportunidade de recuperar materiais, reduzir o descarte e gerar renda para quem vive do trabalho da reciclagem.
Hoje, a própria cooperativa destaca entre suas principais atividades a coleta, a triagem e a comercialização de materiais recicláveis, além de serviços relacionados à logística reversa, processamento, prensagem e enfardamento.
O trabalho em rede
Um novo capítulo dessa história começou em 2021, quando a Aliança se uniu a outras cooperativas de catadores de Campinas para formar uma cooperativa central: a Central UNIR – União de Cooperativas de Reciclagem.
A proposta foi fortalecer a atuação conjunta das cooperativas, criando melhores condições para a coleta, o manuseio, a triagem e a comercialização dos materiais, além de ampliar iniciativas de educação, pesquisa, prospecção de novos mercados e estabelecimento de parcerias.
A atuação em rede trouxe uma nova dimensão ao cooperativismo: cooperativas que preservam sua autonomia, mas também unem forças para enfrentar desafios comuns e ampliar sua capacidade de atuação.
Parceria com o poder público
A relação com o município também se consolidou ao longo dessa trajetória.
Em 2021, a Aliança firmou contrato com a Prefeitura Municipal de Campinas para a prestação de serviços relacionados à triagem de materiais recicláveis. O município manteve posteriormente contratos e aditamentos com a cooperativa para a execução desse trabalho. Em 2026, por exemplo, um novo contrato estabeleceu a prestação de serviços de triagem de resíduos sólidos urbanos recicláveis provenientes da coleta seletiva.
A própria Prefeitura reconhece a importância das cooperativas contratadas para a geração de trabalho e renda no município. Em seu serviço de doação de recicláveis, destaca que os materiais destinados às cooperativas geram trabalho e renda para centenas de famílias de Campinas.
Reciclagem que gera renda e transforma vidas
A atuação da Aliança nunca esteve limitada à recuperação de materiais.
Desde sua origem, a geração de trabalho e renda está no centro da história da cooperativa. É por isso que reciclar, para a Aliança, significa também criar oportunidades, fortalecer a autonomia dos cooperados e promover inclusão social.
Essa dimensão social se combina ao compromisso ambiental. Quanto mais materiais são recuperados e retornam ao ciclo produtivo, menor é o volume destinado aos aterros e maior é a contribuição para a economia circular.
Um estudo sobre a experiência da Cooperativa Aliança já registrava, anos atrás, os esforços da organização para melhorar produtividade, renda e condições de trabalho, mostrando que a profissionalização da atividade também pode caminhar junto com a valorização dos trabalhadores.
Uma história que continua sendo construída
Mais de duas décadas depois de sua criação, a Cooperativa Aliança segue atuando em Campinas com o mesmo princípio que esteve presente em sua origem: o trabalho pode ser uma ferramenta de transformação social.
A cooperativa chega ao presente com uma atuação que combina coleta, triagem, recuperação, comercialização e logística reversa, além de parcerias com o poder público, empresas e outras organizações. Atualmente, o site da Aliança registra mais de 20 anos de história, 22 cooperados diretos e mais de 100 pessoas beneficiadas diretamente.
A história começou com uma busca por trabalho em uma paróquia do Cambuí. Cresceu com a força da comunidade, ganhou estrutura no Jardim Mirassol e se expandiu por meio do cooperativismo e das parcerias.
Hoje, cada material recuperado pela Aliança carrega um pouco dessa história: a história de pessoas que encontraram no trabalho coletivo uma forma de construir renda, dignidade e um futuro mais sustentável.



